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Arte: Nexos & Complexos
 


CONVITE

TCC: As histórias em quadrinhos e o ensino da arte

 

É com uma imensa satisfação que convido todos a assistirem a minha apresentação de TCC. O tema da pesquisa é “As histórias em quadrinhos e o ensino da arte”.

A apresentação será no dia 17 de Dezembro às 19:00 horas na Sala 1, terceiro piso do Campus 1 da Universidade Braz Cubas, localizada na Avenida Francisco Rodrigues Filho, 1233, Mogilar, Mogi das Cruzes em São Paulo.

Conto com a valiosa presença de todos.

 

Marcio Rogerio Ferreira de Souza

 

 

Maus de Art Spiegelman e O grande fascista de Zarra

 

Imagem:

O método de Leitura Comparativa de Edmund Feldman pode ser utilizado numa proposta que inclua os quadrinhos nas aulas de arte, ampliando as possibilidades  que as relações dialógicas que eles travam com outros suportes e com a realidade abrem para uma abordagem pedagógica.

1 – Maus, história em quadrinhos de Art Spiegelman, biografia que conta como seu pai sobreviveu ao holocausto nazista

2 - O grande Fascista de Rafael Zarra, Placa sobre papel colada em masonite, 1973, uma arte em prol da revolução cubana.

As duas obras apresentam homens personificados em animais, as duas obras falam do poder, as duas obras são representativas de fatos históricos importantes da metade do século XX.

 

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza

 



Escrito por Marcio Rogério às 09h09
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Texto publicado no site da Unesp

Favela de Pedra

 

SOUZA, Marcio Rogerio Ferreira, Favela de Pedra

 

Mais um dos meus textos está disponível na Web, prestigiem o que escrevi sobre minhas experiências com aulas de artes visuais em escola da Cidade Tiradentes. “Favela de Pedra” é uma descrição visual de uma viagem a um dos bairros mais paradoxais de São Paulo. O texto foi publicado na área de Debate Acadêmico da UNESP e selecionado pelo crítico Oscar D’Ambrósio, que tem realizado um maravilhoso trabalho de registro da produção contemporânea de arte brasileira.

 

http://www.unesp.br/aci/debate/pedra.php

 

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 07h37
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Isócrates

Isócrates contra os Sofistas

 

A condição humana, Magritte, 1935

Magritte, A condição humana, 1935

 

“Quem, de fato, não detestaria e não desprezaria em primeiro lugar os que se entregam às discussões? Eles fingem buscar a verdade (alétheia), mas desde o início de seu programa põem-se a mentir. Com efeito, na minha opinião, é evidente para todos que prever o futuro não é próprio da nossa natureza: estamos tão longe de uma tal presciência (phronesis) que Homero, o homem mais ilustre por sua sabedoria, representou algumas vezes os deuses deliberando sobre o futuro: não que ele conhecesse seus pensamentos, mas porque queria nos indicar que para os homens isso é uma coisa impossível.” [ISOCRATES, Contra os Sofistas]

 

Isócrates ao escrever o trecho acima se posicionou contrario a dialética, um método de investigação filosófica baseado em perguntas e respostas usado pelos erísticos. E anti-socrático ele menospreza o valor dado à especulação pelos investigadores do conceito.

Isócrates se posicionou a respeito dos debates filosóficos em uma época em que a arte estava a serviço da busca da beleza e da perfeição. Se Isócrates fosse eterno como alguns deuses homéricos, talvez, perceberia que o tropeço de uma arte que se punha narcisista foi justamente se colocar em frente ao espelho que nada mais é que a ilusão que pretende dizer a verdade.

A arte se põe dialética neste confronto especulativo entre obra e fruidor, onde as perguntas afloram de ambos os lados e as respostas, relativas, co-existem entre os instáveis universos da verdade e mentira. É um processo bilateral, ao contrário do enigma da esfinge que devora quem não responde, a arte de antemão dá seu aviso: Deciframo-nos e devoramo-nos. Como cosmos, antes separados, mas, que se fazem uno.

Dialéticamente surge a questão a espera de suas verdades, ou verdades-quase-mentiras ou mentiras-que-contém-verdades: A arte pretende investigar a verdade?

Gombrich dá uma pista de como a arte se posta perante os homens em seu livro Arte e Ilusão:

 

“Se toda a arte é conceitual, então a questão é simples. Porque os conceitos, como as pinturas, não podem ser verdadeiros ou falsos. Podem ser apenas mais ou menos úteis à formação de descrições”.[GOMBRICH, 1995, P95]

 

2007© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 09h05
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Delara Darabi e o encontro com a morte

 

Série Morte, Márcio Rogério, Xilogravura, P.A. 2006

 

Quem nunca ouviu dizer que a única certeza que se tem da vida é a morte? Como as pessoas lidam com esta incerteza? Todas as buscas da humanidade tiveram como objetivo primordial o controle sobre os fenômenos, a transformação do desconhecido em códigos decifráveis. E como lidar com a idéia de deixar de existir na terra como um ser que transforma, constrói e que dá os passos a partir de objetivos? A forma mais cruel em que a morte se apresenta é aquela que poda os planos pela metade, como um machado que corta a árvore antes que ela dê seus frutos. O que pensar dos poetas que levam suas poesias para o túmulo? Dos artistas que não podem exteriorizar suas criações? Daqueles que portam a solução para os problemas dos homens, mas a morte, com seus caprichos, os silenciam?

Sentir-se distante da morte é ter a sensação que tivera Dorian Gray, a criatura de Oscar Wilde, diante de seu próprio rosto no espelho, sem uma ruga, um sinal do tempo, sem o aviso fatal que a morte dá de sua proximidade. Lorde Wotton bem lhe avisou:

 

"Um dia, quando estiver velho, enrugado e feio, quando o pensamento lhe houver traçado vincos na testa e a paixão tiver lhe crestado os lábios com o seu fogo detestável, terá a impressão que agora não sente; uma impressão terrível."

 

Obra de Delara Darabi produzida no corredor da morte

 

Será a morte a traição da vida? A vida faz tantas promessas, mas, só a morte pode cumprir seu destino. Delara Darabi deve refletir sobre isto todo dia, com seus vinte anos e desde os dezessete no corredor da morte, sentenciada ao enforcamento pela lei iraniana por assassinato. Delara afirma ser inocente. Através da arte Delara mostra ao mundo o que é estar a um passo da morte. Quando a morte é mais certa do que aquela que certamente todo homem espera. Sua obra mostra homens que tem como apoio um fino e frágil fio, esta é a vida que tem a sua volta um grande vazio, a morte que espera que o fio se quebre. No entanto, enquanto Delara tem o fino fio pra segurar, exerce a fugaz liberdade através da sua desesperada pintura.

 

2007© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 10h01
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Artigo na Web

 

SOUZA, Marcio Rogerio Ferreira. História em Quadrinhos: Bebendo da Maldita Fonte

 

Para quem quiser conferir a palestra que eu realizei na Universidade Braz Cubas em Mogi das Cruzes em novembro de 2006, a transcrição está disponível no site do Bigorna, confiram:

 

História em Quadrinhos: Bebendo da Maldita Fonte

 

2007© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 09h06
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Reynolds e Doré

Fantasia e Realidade

 

Reynolds e Doré

 

Na primeira obra “Love me, love my dog” de 1775 a realidade é percebida no olhar da pequena Bowles que nos convida a participar de um momento totalmente possível, nos convida a amá-la e a amar seu animal de estimação. Seu olhos fazem contato direto com o apreciador, coloca-o como parte desta realidade, aproxima-o de um momento de tranqüilidade e afeto, de um universo de inocência que, somente, existe nos já esquecidos anos da infância.

Joshua Reynolds, o pintor inglês que eternizou a Miss Bowles era moralista e praticava uma pintura baseada em fundamentos clássicos. Retratava pessoas reais da aristocracia inglesa com muito luxo e pompa. Retratar a realidade a partir de um pensamento moralista requer uma impregnada idealização da realidade. De que realidade dizia Reynolds? Aquela que se mostra como realmente é, ou a que deveria ser? Certamente a garota com seu cão e toda a atmosfera de felicidade nos parece mais fantasia do que a realidade que, talvez, Reynolds pretendeu mostrar.

Na segunda obra “Le Petit Chaperon rouge”, ilustração que Gustave Doré fez em 1862 para ilustrar os contos que Charles Perrault escreveu, contos esses que eram contados por sua mãe durante sua infância, vemos uma criança e um cachorro como na obra de Reynolds, mas, em um contexto diferente, a garota de Doré, não faz contato visual com o observador, afasta-o da cena, distancia-o de um fato que não pretende ser real, apenas, imaginário.

No entanto, os contos folclóricos, com sua narrativa fantástica, contém em seus personagens, às vezes,  antropozoomórficos, verdades sobre a natureza humana. Quem nunca presenciou alguém com a audácia e a maldade do lobo mau?

Em Reynolds encontramos um conto fantástico onde encontra-se expressa uma felicidade e um mundo idealizado que os palacianos ingleses gostariam de viver. E em Charles Perroult, com a colaboração de Gustave Doré a realidade nua e crua de homens que escondem seus animais atrás de uma aparência fantasiosa, tal qual aquela dos retratos de Reynolds.

 

2007© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 10h42
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3ª Bienal de Artes do Alto Tietê

Comemorando

 

Márcio Rogério, Comemorando, Instalação

 

A arte contemporânea não se conclui no produto artístico, ela acontece quando está sendo confrontada com os homens, é sempre um meio, um processo inacabado que culmina na desestabilização, na ruptura dos padrões de pensamento. Uma estética que assuma a força rompedora dos rígidos sistemas alienantes acaba, por este caminho, assumindo sua função na construção de uma nova sociedade.

A função da arte vai além da estética, ela permeia o universo ético, político, social, tecnológico e econômico.

"As convulsões contemporâneas exigem, sem dúvida, uma modelização mais voltada para o futuro e a emergência de novas práticas sociais e estéticas em todos os domínios." [GUATTARI]

Com esta instalação, pretendo provocar questionamentos pertinentes ao homem dedicado ao trabalho, vítima da exploração, vítima da cadeia alimentar animal-humana, onde, como proclamou Maquiavel: “Os fins justificam os meios”.

Como recompensa por sua vida dedicada a produção mecânica dos sonhos dos outros, o homem recebe, por cumprir o castigo divino, a esperança de que “o trabalho é uma dádiva, e tudo fica melhor quando sua fotografia é afixada para todos os colegas e clientes virem que ele é “O melhor funcionário do mês.”

3ª Bienal do Alto Tietê – de 26 de Março a 13 de Maio de 2007 – Praça dos Eventos – Poá – SP

 

Márcio Rogério. Comemorando, Instalação: Pintura digital sobre fotografia, madeira e vidro. 1,66 m x 2,22 m x 80 cm

 

2007© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 08h17
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Reinvenção

Exposição de Arte Contemporânea na UBC

 

Universidade Braz Cubas - Mogi das Cruzes - SP

 

Não foi uma proposta de releituras das obras de artistas contemporâneos brasileiros das décadas de 60 e 70, a proposta da exposição, orientada pelo professor Júlio Strelec, ocorrida em Novembro de 2006 na Universidade Braz Cubas em decorrência da VI Semana de Artes foi de Reinvenção. Reinvenção na medida que se articula os pensamentos do artista com o próprio pensamento, aceitando a impossibilidade do impessoal e propositalmente mergulhando  estas informações num lago de questionamentos que se mantém sempre em processo de reflexão.

Na variedade de abordagens o artista ora se dilui, ora se projeta na obra. Na produção do grupo do Thiago e Aline Balibardin as bandeiras rígidas e definidas, marca inconfundível de Alfredo Volpi, perdem sua formalidade e passam a se projetarem tridimensionais. Através da translucidez das bandeiras o olhar é levado a assinatura de Volpi: Seja qual for as questões provocadas pela obra, ela sempre trará reflexões sobre seu autor.

Na obra Oiticica³, produção dos artistas Márcio Rogério, Catia Shimohara, Luana Cipriano, Silvia Meyri, Milene Araújo e Renata Franco a antropofagia proposta pelo artista a partir da cultura popular foi o foco da pesquisa. O olhar é levado, por entre os cubos regulares e concretos, a descobrir a liberdade expressiva e informal das festas populares.

Na exposição foram expostas instalações e objetos a partir da pesquisa sobre diversos artistas, dentre eles Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Nelson Leirner, Wesley Duke Lee, Lígia Clark e outros.

 

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 09h54
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Palestra na Universidade Braz Cubas

Estarei realizando uma palestra na Universidade Braz Cubas...

 

 Dia 17 de Novembro na UBC

 

As histórias em quadrinhos surgiram em decorrência do desenvolvimento das técnicas de reprodução e dos suportes que, paulatinamente, uniam as imagens aos textos, como as charges litográficas de Honoré Daumier no século XIX e tiveram como o seu grande momento o século XX.

Sendo um potencial meio para divulgação de ideologias, os quadrinhos passaram a sofrer acirrada perseguição por parte dos dominantes. O controle passou a ser o instrumento do poder contra esta mídia, subversiva desde seu nascimento.

Apesar das histórias em quadrinhos ocuparem a pior das posições entre as mídias, acusadas de “emburrecer”, “alienar” e transformar mocinhos em bandidos, desta “maldita fonte” muitos têm bebido. Os quadrinhos têm servido de referência na produção da arte contemporânea e têm estabelecido um diálogo intermídiático intenso. Nas universidades teses e dissertações sobre os quadrinhos têm sido defendidas e nas escolas, professores estão descobrindo agora que novas possibilidades pedagógicas podem ser construídas a partir desta mídia.

As produções de alguns destes artistas serão analisadas, do Pop Art de Lichtenstein ao New Pop de Murakami, além das experiências de artistas brasileiros da arte contemporânea como Carlos Vergara e Antonio Dias. Serão abordados também as experiências da Sutil Companhia de Teatro e do cinema norte-americano, todos tendo as histórias em quadrinhos como uma fonte de pesquisa.

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 13h10
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POLITICALHA

Arte-política: Intervenção Urbana

 

 Intervenção Urbana

 

            Arte e política? A grande questão é até onde uma pode intervir na outra. De tempos em tempos surgem os artistas-militantes, uns com uma linguagem satírica, outros explorando o trágico. No entanto, independente do humor típico das gravuras realistas do século XIX e que se mantém hoje nos cartuns, do humor desesperançoso do Dadaísmo, do trágico do expressionismo alemão, da arte-política direta e fatal dos artistas brasileiros da segunda metade da década de 60, estes artistas acreditam na arte reflexiva, na arte revelando as mazelas da sociedade. Uns descrentes com a humanidade, outros revelando até que ponto o “humanismo” pode ser desumano numa sociedade de classes.

            No dia 23 de Setembro de 2006, artistas plásticos, alunos da Universidade Braz Cubas, entre eles Aline Baliberdin e Thiago Fernandes Castro realizaram uma intervenção urbana em Mogi das Cruzes. A intervenção “politicalha” não tem lado partidário, joga do lado do ceticismo, aflorando esteticamente o descrédito da sociedade com um sistema político carcomido. Utilizando da estratégia usada pelos candidatos políticos, os artistas inseriram as placas entre os militantes partidários provocando uma reflexão dos pedestres sobre o sistema eleitoral. Estaria o desejo do povo contemplado nas opções disponíveis nas urnas?

            Tempos atraz Marinetti encontrara a beleza da guerra, uma estética do triunfo da máquina sobre o homem, a imagem cruel do homem destruindo o homem com sua sede de poder. No entanto, mais belo que a guerra é a manifestação popular, com suas bandeiras disformes e sua marcha desorganizada, onde o homem não precisa da sistematização da sociedade da guerra, precisa apenas de uma brecha, por onde sua voz possa ecoar entre os outros homens. Na mesma medida em que as imagens dos movimentos políticos e as manifestações sociais mostram-se estéticas, a arte assume sua função política.

 

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza

 

 



Escrito por Marcio Rogério às 10h08
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MURAKAMI

A Arte a favor da corrente

 

 

            Desde que a Arte Conceitual começou a ganhar força e a se firmar na contemporaneidade como uma arte deste tempo para este tempo, os conceitos e muitas vezes as idéias passaram a ter maior importância na produção dos artistas, muitos deles com uma arte provocativa e de enfrentamentos. Este posicionamento é visível desde Duchamp e continuou na forma como o Grupo Fluxus questionava os propósitos dos museus.

            Entretanto, a arte contemporânea não é construída apenas de posicionamentos contrários e subversivos, há aqueles artistas que escolhem ir a favor da corrente, e decide seguir pelo viés do consumo e da indústria cultural. Um destes artistas é Takashi Murakami, o japonês que se assumiu um Otaku (Adolescente, típico do Japão, que fica em casa assistindo desenho animado e lendo mangás e que na Arte de Aida Makoto aparece como alienado e escravo do consumo).

            Murakami coloca como título de sua obra temas como “Superflat”, mas uma breve analise  mostrará que sua produção não é apenas a “imagem pela imagem”. Sua arte colorida e aparentemente descompromissada não está livre de um pensamento crítico sobre a sociedade japonesa. Exemplo está em sua escultura “Hiropon” de 1997, em que leite jorra numa grande quantidade dos seios enormes de uma personagem no estilo dos mangás, como uma referência a mulher japonesa que tem como principal função social ser mãe segundo a Dr. Christine Greiner*.

            Murakami expôs em 2003 no Rockefeller Center com o tema Reversed Double Helix e em frente ao prédio construiu uma escultura com personagens coloridos, com feições agradáveis e infantis que terminam por fazer parte de uma rede de produtos que o artista comercializa. E numa jogada de mestre desenhou uma linha de bolsas para a Vuitton que chegaram ao Brasil em versões originais e piratas e realizou o quase impossível: sua Arte pôde ser apreciada numa grande galeria como a Palais de tokyo e numa Bienal de Veneza e comprada nas lojas e bancas de camelôs no circuito do comercio popular.

 

Imagem: http://www.georgetown.edu

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza

 

* Dr. Christine Greiner no Curso 'A arte japonesa pós anos 90' em realização na  Japan Foundation em São Paulo.



Escrito por Marcio Rogério às 09h40
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QUESTÕES

Arte erudita é para a elite?

 

“Só uma pequena minoria é capaz de apreciar e usufruir da experiência estética apresentadas nestes espaços, mas através de impostos, um número muito maior paga pelas realizações artísticas. Contudo, aos códigos da arte erudita tem acesso apenas uma pequena elite.”

 

            Arte erudita e arte popular. A dicotomia existente na concepção de arte que acaba por ser uma classificação de uma arte sofisticada para a elite e uma arte grosseira para a maioria tem provocado reações e as discussões em torno deste dualismo têm ganhado tom de polêmica. Ana Mae Barbosa, autora da frase acima em seu livro A imagem no ensino da arte defende uma maior aproximação da cultura erudita com a popular a partir da maioria, já que, segundo ela, a minoria que ela denomina elite, já se apropriou da cultura popular. Junta-se a ela outros como Valdisa Russio Guarnieri, Hugues de Varine, em grande parte profissionais de museologia e educação.

            Ana Mae afirma ainda que a educação é o meio de preparar um novo público que seja capaz de fruir arte.

            No entanto, a questão se apresenta um pouco mais complexa. Artistas contemporâneos têm usado sua linguagem artística para fazer frente à cultura de massa, essa produzida como um mero produto de mercado para uma grande maioria, o mesmo público que produz a arte popular. E afirma-se dela que não pode compreender a arte que está nos museus de arte moderna e contemporânea porque não está preparada intelectualmente e criticamente para isso. E isto não é um equívoco.

            No dia 23 de Julho o conceituado crítico de arte, curador de exposições importantes como a “Lívio Abramo” no instituto Tomie Ohtake, Olívio Tavares de Araújo concedeu uma entrevista ao Net Processo, site especializado em arte contemporânea e fez afirmações polêmicas sobre como os novos críticos de arte têm realizado seu trabalho e deixa transparecer em suas posições que atualmente os críticos e curadores não têm se preocupado em tornar a linguagem da arte erudita acessível ao grande público:

 

“Escrever de uma maneira não clara é uma estratégia de ocupação de espaço e de criação de poder.  Um dos postulados da era de comunicação é que a informação é poder, um postulado da cultura do século 20 e 21. Na medida em que você pega uma informação e a reveste de uma certa aura de incompreensibilidade, você a está tornando uma informação privativa sua ou pelo menos em parte. Essa aura em torno dela cria um status.”

 

            Na entrevista Olívio Araújo fala, também, de sua carreira, como, segundo ele “acidentalmente”, começou a escrever sobre artes, fala nas mudanças de conceitos dos críticos de arte no Brasil e relembra de Harry Laus. Suas falas são contundentes e muitas vezes, ácidas.

         No entanto, esta discussão também está presente entre os estudantes.  Em uma discussão que participamos com colegas alunos de Artes Plásticas da Universidade Braz Cubas em Mogi das Cruzes surgiu um questionamento: Se grande parte destes profissionais que podem, institucionalmente, escolher que tipo de arte estará nos museus e bienais tem em comum pensamento que a cultura de massa é nociva, entretanto, afastam com uma linguagem inacessível a arte erudita do grande público. Estariam eles também contribuindo pra eternizar a grande distancia cultural entre a maioria despreparada com sua arte popular e a minoria intelectual?

 

Quem quiser conferir a entrevista acesse o link: http://www.netprocesso.art.br/oktiva.net/1321/nota/17751

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 15h10
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OSGEMEOS

O peixe que comia estrelas cadentes

 

divulgação

 

      Este é meu primeiro texto e estarei

      postando semanalmente no blog.

      Mas deixo avisado aos amigos que

      não falarei aqui como um intelectual

      ou um crítico de arte. Serão textos

      pessoais e, as vezes,  carregados de

      emoção. Não acredito em fórmulas

      racionais para leitura de arte.

      Fiquem a vontade para comentar!!!

 

            O título caiu muito bem. “O peixe que comia estrelas cadentes” traz-nos a sugestão de fantasia infantil. E a sensação que tivemos ao interagir com a instalação dos irmãos Pandolfo foi a mesma de invadir um universo lúdico, de cores alegres e fortes como as de um desenho animado.

Mas este sentimento de escapismo permanece em um primeiro momento. Depois de passada a euforia provocada pelas formas fantásticas de homúnculos e animais estilizados num cenário envolvente passamos a contemplar melhor a obra e a perceber que o que existe de infantil, também existe de sinistro e o que existe de fantasioso, também existe de verdadeiro.

A primeira vez que vimos o trabalho dos irmãos grafiteiros, foi em 1999 numa revista especializada para este público, de lá para cá Osgemeos conquistaram o que os grafiteiros buscam a muito tempo: Que suas intervenções no espaço urbano sejam reconhecidas como expressão artística. No entanto, eles conseguiram mais, levaram o seu Graffiti para as galerias de arte desde 1997 e passaram a trabalhar outras mídias como Objeto e Instalação, assumindo uma posição de artistas contemporâneos.

A instalação está no piso 1 da Galeria Fortes Villaça que foi toda adaptada em função da exposição, a parte externa foi transformada numa grande cabeça amarela, e segundo os artistas, entrar na galeria é como entrar em sua mente. No piso 2 estão expostos 7 quadros produzidos com diversas técnicas: Pintura, colagem, assemblage. Nos quadros coloridos, brilhantes e com lantejoulas, os gêmeos trazem para a exposição o universo nordestino, com ícones da religiosidade e do folclore popular e com personagens de seu próprio universo. No entanto, como grafiteiros não esqueceram do velho spray e dos temas típicos das grandes concentrações urbanas, como a violência. E é neste hibridismo de universos que eles constroem sua arte.

Desde 1999 que Osgemeos expõem no exterior, de Munique, Alemanha até hoje, eles já passaram por muitos países como França, Grécia, Cuba, EUA e outros. E esta exposição é a primeira individual deles no Brasil, portanto quem quiser conferir a exposição fica até o dia 16 de Setembro de 2006, e depois as paredes serão pintadas e as pinturas da instalação cobertas. Segundo Osgemeos, em entrevista ao Play TV no Canal 21 o “Peixe que comia estrelas cadentes” é apenas um instante, um pensamento curto da mente deles. Sendo assim, agradecemos aos irmãos Pandolfo por dividir este momento tão fugaz conosco!

 

Site da Galeria: http://www.fortesvilaca.com.br/

Fotografia: http://www.lost.art.br

 

2006© Marcio Rogerio F. de Souza



Escrito por Marcio Rogério às 16h40
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